Abate nas explorações pode ser “útil” em zonas isoladas, mas “não faz muito sentido” no Alto Tâmega e Barroso
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Contactado pelo Canal Alto
Tâmega, o Presidente da Cooperativa Agrícola do Barroso (CoopBarroso), Nuno
Sousa, considerou que a possibilidade de abate de animais nas explorações
agrícolas pode ser uma solução “útil” em territórios mais isolados, mas
defendeu que a medida terá pouco impacto na região do Alto Tâmega e Barroso,
onde existe um Matadouro regional.
“Em territórios que estejam muito deslocados de um matadouro, faz algum
sentido porque, há, de certa forma, o transporte que não só acaba por afetar a
qualidade da carne, sendo um transporte longo, como também, em termos de
bem-estar animal”, afirmou o responsável pela CoopBarroso, entidade que
gere o Matadouro Regional do Barroso e Alto Tâmega, no Barracão, concelho de
Montalegre
No entanto, Nuno Sousa sublinhou
que a realidade local é diferente, devido à existência de um matadouro regional
com capacidade para responder às necessidades dos produtores.
“Portanto, não faz muito sentido esse tipo de medida aqui na nossa
região. De qualquer das maneiras, há regiões que de facto poderá ser vantajoso
para os agricultores”, disse.
O matadouro da região abrange os
concelhos de Montalegre, Boticas Chaves, Valpaços, Vila Pouca de Aguiar e
Ribeira de Pena, e presta serviços de abate de bovinos, suínos e pequenos
ruminantes com regularidade.
O dirigente referiu ainda que se
tem registado uma diminuição no número de abates, uma tendência que diz ser
transversal ao país. Por outro lado, alertou para a necessidade de garantir
controlo e acompanhamento técnico no eventual abate realizado nas explorações
agrícolas.
“Pelo aquilo que eu entendo, o abate terá sempre que ser acompanhado
por um veterinário e terá que ser sempre, vigiado em relação às condições de
abate”, afirmou.
De acordo com o Secretário de
Estado, a nova abordagem permitirá reduzir a necessidade de transporte de
animais vivos, alterando a lógica atual da cadeia produtiva. “O que é
transportado não são os animais vivos, são as carcaças”, referiu. Segundo o
governante, a medida pretende responder a constrangimentos logísticos e
económicos enfrentados por produtores, sobretudo em regiões do interior.
Sara Esteves
Foto: CoopBarroso
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