Incêndios: Alto Tâmega com três helicópteros e 220 bombeiros na fase crítica
Três helicópteros ligeiros e 220 bombeiros integram o Dispositivo de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) 2026 no Alto Tâmega e Barroso na fase mais crítica que arranca a 01 de julho e termina a 30 de setembro.
O comandante sub-regional do Alto
Tâmega e Barroso, Artur Mota, descreveu esta região como “uma das mais críticas
em termos de incêndio”, pela continuidade dos combustíveis, designadamente a
mancha de pinhal bravo contínua no vale do Tâmega a iniciar em Ribeira de Pena
e a terminar em Chaves.
O comandante, que falava após a
apresentação do dispositivo, em Chaves, disse que a atenção dos operacionais
vai também estar centrada em áreas que não foram atingidas pelos incêndios no
ano passado, como por exemplo Valpaços, destacando ainda a boa articulação
entre todas as forças envolvidas no esforço de travar os incêndios.
“No fundo são os locais que se
iniciar algum incêndio nos pode trazer incêndios de grandes dimensões porque há
muita continuidade de combustível”, apontou.
O DECIR 2026 foi ativado no dia
15 de maio e apresenta diferente níveis de empenhamento operacional, com a fase
Delta, de 01 de julho a 30 de setembro, a corresponder ao período considerado
mais crítico de risco de incêndios, e com um reforço de meios empenhados.
TRÊS MEIOS AÉREOS REFORÇAM A REGIÃO DO ALTO TÂMEGA E BARROSO
Nesta fase, a região que integra
seis concelhos (Boticas, Chaves, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços e Vila
Pouca de Aguiar) contará com três helicópteros ligeiros de combate a incêndios sediados
no Centro de Meios Aéreos (CMA) de Chaves(2)
(Pista) e Ribeira de Pena (1) (Heliporto) e um total de cinco equipas da
Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da Guarda Nacional
Republicana (GNR), com 23 elementos, 14 em Chaves e 09 em Ribeira de Pena,
desde Equipas Helitransportadas de Ataque Inicial (EHATI) e Equipas Terrestres
de Ataque Inicial (ATATI).
Nos corpos de bombeiros deste
território estarão disponíveis 25 equipas (combate, apoio logístico ou comando).
Nesta contabilidade incluem-se as
20 equipas de intervenção permanente existentes nas corporações de bombeiros,
com 100 elementos.
Por parte do Instituto de
Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) haverá 32 equipas de sapadores
florestais (160 elementos e 32 veículos), duas brigadas de sapadores florestais
(30 elementos) e quatro equipas (17 elementos) do Corpo Nacional de Agentes
Florestais (CNAF), num total de 38 equipas, 207 elementos e 42 veículos.
Em 2025, arderam 9.800 hectares
nesta região e, este ano, contabilizam-se mais de quatro mil hectares de área
ardida, disse o Comandante Sub-regional do Alto Tâmega e Barroso, Artur Mota.
Presente nesta apresentação do
DECIR 2026 para este comando sub-regional, Fátima Fernandes, presidente da
Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega e Barroso e da Câmara de Montalegre,
considerou que esta época vai ser “exigente” em consequência das condições
meteorológicas que proporcionam o crescimento da vegetação.
A autarca deixou ainda a
esperança que este possa ser um ano com menos ignições embora tenha considerado
que o maior número de incidências no concelho de Montalegre esteja fora do
período crítico.
“É uma questão de
comportamento e de tradição. Os nossos agricultores sejam para a queima de
sobrantes ou para a renovação de pastagens seguem práticas ancestrais de atear
fogo para eliminar esses sobrantes ou vegetação e é evidente que atualmente os
terrenos não estão limpos como outrora, nem a idade das pessoas é a mesma,
assim como o comportamento do fogo na atualidade não é o mesmo. É muito
imprevisível”, recordou.
Fátima Fernandes elogiou o
trabalho dos bombeiros, operacionais “que são sempre escassos”, e
admitiu a necessidade de serem reconhecidos monetariamente pelo trabalho
concretizado no território, nomeadamente que tivessem “uma oportunidade de
emprego durante todo o ano porque é uma mão de obra necessária e fundamental
porque atuam em diferentes palcos”.
“Mereciam que houvesse mais
meios designadamente dispositivos e máquinas que pudessem ajudar neste combate
e também que o trabalho dos nossos bombeiros fosse reconhecido de outro modo”.
“Não podemos esquecer que
estamos a falar de voluntários que efetivamente neste período têm uma pequena
remuneração, mas que é muito pequena e que não leva em conta as muitas e muitas
horas que estão no teatro de operações”, frisou.
A Presidente da CIMAT relembrou
que para chegar a este plano “há um conhecimento muito grande deste
território e deve-se aos bombeiros. É preciso um olhar mais atento no
vencimento destes operacionais que colocam a sua vida em risco e as famílias
num desassossego”.
O Plano de Operações Sub-Regional
do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) 2026 foi
apresentado esta segunda-feira, dia 08 de junho, no Quarteirão Cultural de
Chaves. A sessão foi promovida pelo Comando Sub-Regional de Emergência e
Proteção Civil, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, em
colaboração com a Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega e Barroso (CIMAT).
Na sessão esteve ainda presente o Presidente da Câmara Municipal de Chaves,
Nuno Vaz.
O evento reuniu várias entidades
que integram ou colaboram com o Sistema Nacional de Proteção Civil,
nomeadamente bombeiros, PSP, GNR e o ICNF.
O reforço de meios do Dispositivo
Especial de Combate a Incêndios Rurais aconteceu a 15 de maio no que é
denominado “nível Bravo”, tendo-se prolongado até ao dia 31 de maio, altura em
que os meios aumentam, entrando no “nível Charlie”, fase de 01 de junho a 30 de
junho. Segue-se o “nível Delta” com o DECIR na sua máxima capacidade de
resposta de 01 de julho a 30 de setembro e depois o “nível Charlie” de 01 a 15
de outubro.
Sara Esteves
Fotos: Carlos Daniel Morais e
Sara Esteves
08/06/2026
Sociedade


