Associação de Covas do Barroso questiona transparência na classificação europeia da mina de lítio
Sociedade
A UDCB refere, numa nota enviada,
que a investigação destaca que 11 projetos, incluindo o da mina de lítio em
Boticas não constam da versão preliminar datada de 20 de fevereiro de 2025.
“Segundo a investigação, onze projetos que não constavam da versão preliminar
datada de 20 de fevereiro de 2025 acabaram por surgir na lista final de
projetos apresentados em março do mesmo ano. Isto apesar de aparentemente não
terem recebido parecer favorável numa avaliação técnica inicial realizada por
peritos externos. As alterações terão ocorrido após consultas entre a Comissão Europeia
e os Estados-Membros no âmbito do Conselho Europeu das Matérias-Primas Críticas”,
lê-se na nota enviada pela Associação.
Para a UDCB, as revelações “confirmam suspeitas antigas” das
populações locais relativamente à condução do processo.
Catarina Alves, da associação,
afirmou citada em comunicado que “a
classificação de Projeto Estratégico já está a ter sérios impactes para o
território com a imposição de uma segunda servidão administrativa em 228
hectares de terrenos privados e baldios”.
A responsável acrescentou que “estes documentos denunciam o que a falta de
transparência com o processo foi conduzido já nos fazia suspeitar: a atribuição
da classificação foi promovida pelo Governo, à revelia das leis e
regulamentações europeias, em violação dos direitos dos cidadãos e sem qualquer
consideração pelos impactes ambientais e sustentabilidade dos projetos”.
A associação recorda que a
classificação europeia da Mina do Barroso está atualmente a ser contestada no
Tribunal Geral da União Europeia, numa ação judicial apresentada pela UDCB e
pela organização ambiental ClientEarth.
Entre as preocupações apontadas
pelas organizações estão riscos para os recursos hídricos, biodiversidade,
segurança das barragens de rejeitados e alegadas falhas de participação pública
e acesso à informação.
A polémica intensificou-se após a
publicação, em 06 de maio de 2026, de uma segunda servidão administrativa que
permite à Savannah aceder a terrenos privados e baldios para realizar trabalhos
de sondagem geológica e geotécnica.
Também citado no comunicado,
Michael Reckordt, consultor para a política de matérias-primas da organização
alemã PowerShift, afirmou que “o processo
revela fortes indícios de sérias irregularidades cometidas pela Comissão
Europeia na implementação da sua estratégia para as matérias-primas críticas”.
“Trata-se de uma bofetada para as populações afetadas pela mineração,
que há anos contestam estes projetos com base em argumentos factuais”,
acrescentou.
Segundo a investigação do
Table.Briefings, a Comissão Europeia recusou ainda vários pedidos de acesso a
pareceres técnicos e documentos internos apresentados ao abrigo da legislação
europeia de acesso à informação e da Convenção de Aarhus, invocando razões de
segurança pública e proteção de interesses económicos e comerciais.
A UDCB defende que as novas
revelações intensificam a necessidade de maior escrutínio público e político
sobre os processos.
Foto: UDCB
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