BALADI alerta para riscos em acordos de delegação de poderes dos baldios ao ICNF

A BALADI – Federação Nacional dos Baldios alertou na terça-feira, 05 de maio, as comunidades locais para os riscos associados a novas minutas de “Acordo de Delegação de Poderes” propostas pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Esta Federação defende que as novas minutas podem representar uma perda de autonomia na gestão dos baldios.

Num comunicado enviado, a federação diz que as minutas em circulação “devem ser analisadas com a máxima prudência”, e acrescenta que não se trata de “um simples apoio técnico, nem perante a continuação da cogestão”, mas sim de um modelo que pode configurar uma “gestão unilateral” por parte do Estado.

Segundo a BALADI, o acordo “pode significar a entrega ao ICNF de poderes de administração sobre o baldio, com efeitos muito relevantes para a autonomia das Comunidades Locais”, incluindo intervenção na gestão florestal, exploração de recursos e receitas associadas, como madeira, carbono e biodiversidade.

O documento refere ainda que, o modelo proposto prevê que o ICNF arrecade 40% das receitas brutas e estabelece contratos com duração inicial de 30 anos, renováveis automaticamente, podendo atingir 90 anos. O novo modelo, diz ainda a Baladi, adianta que a revogação do contrato pode obrigar a Comunidade Local a indemnizar o ICNF.

 A federação reconhece as dificuldades enfrentadas pelos baldios, como a falta de apoio técnico e o aumento das exigências burocráticas, mas rejeita o que considera ser um “falso dilema”. “Ou os baldios ficam expostos aos fundos financeiros, ou entregam a sua administração ao ICNF”.

Para a BALADI, a “contratação de apoio não deve implicar a delegação de poderes de administração” e defende “apoio técnico sério, transparente e controlado pelas Comunidades Locais, mantendo sempre a decisão nas mãos dos compartes”.

No comunicado, esta entidade apela às comunidades para que procurem “uma análise jurídica e técnica independente antes de assinar qualquer acordo” e que ponderem alternativas, incluindo o recurso a estruturas associativas do movimento dos baldios.

“Os baldios pertencem às Comunidades Locais. O seu futuro deve continuar a ser decidido pelos compartes”, conclui a federação que recomenda às comunidades que se informem antes de qualquer decisão.

 

Sara Esteves

Foto: DR


06/05/2026

Sociedade